quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sobre o livro Jornalismo, Fonte e Opinião, de Sérgio Mattos

Caro leitor, supõe-se um consenso na massa crítica da sociedade que uma entrevista não é um bem durável, que se esgota praticamente no momento em que ela é realizada.
Levando-se em conta a dinâmica que rege os fatos no dia-a-dia, a evolução do conhecimento que transforma o mundo num piscar de olhos, a transformação da vida por obra do dinamismo e da evolução que se vê em todos os quadrantes, tal assertiva pode ser verdadeira e, na maioria dos casos em que o objeto é uma entrevista, pode-se afirmar que se esgota com a mesma rapidez que é produzida.
Sem dúvida, a partir do momento em que um indivíduo, com uma contribuição significativa no meio social em que vive, cumpre o papel de deixar um legado através desse canal de comunicação, que se chama entrevista, sem importar o meio utilizado para que se torne um objeto palpável, sobre o conhecimento que ele detém na área de sua formação, ou sobre qualquer outra temática, cuja contribuição o depoente tenha algo relevante para registro à disposição de todos, o que se conhece como dinâmica da sociedade pode transformar este fato social num extrato datado quase no mesmo instante em que se processa o ato da entrevista.

Pode parecer exagero tal afirmativa, contudo, é tão acelerada a transformação da sociedade hoje que, se guardarmos alguma proporção para o que ora se afirma, é uma verdade aparentemente sem contraditório. Das entrevistas, de fato, a impressão que nos fica é que elas envelhecem durante o ato da sua realização.

Dizemos aparentemente sem contraditório porque nos permitimos trazer ao lume uma coletânea de entrevistas concedidas ao longo dos 40 anos de atuação nos meios de comunicação no Brasil do Professor Doutor Sérgio Mattos em que são desmentidas tais teorias, pois, enfeixadas neste livro, apesar da diversidade, resguardam unidade, se considerarmos as diferentes épocas em que foram concedidas.

Saiba, caro leitor, que, nas entrevistas, se tomadas individualmente e, no livro, por extensão, você não se sentirá órfão, pois descobrirá que as discussões sobre os meios de comunicação, as histórias que se imbricam nos relatos e depoimentos, constituem um tecido que se esgarça tão somente para que você conheça com profundidade um pouco mais da história dos meios de comunicação na Bahia e no Brasil, nisso reside, entre outras razões, sua atualidade e permanência.

Repórter Especial e Chefe de Reportagem do jornal Tribuna da Bahia, na prática sua primeira escola, Editor de Suplementos do jornal A Tarde e da revista Néon, além de professor da Universidade Federal da Bahia, de instituições privadas de ensino superior e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, e outras atividades que exerceu sem afastar-se um milímetro desse universo da comunicação, Sérgio Mattos revela em Jornalismo, Fonte e opinião uma experiência inigualável. O livro é um repositório dessa experiência e as lições nele contidas não devem se perder.

Uma boa leitura!