quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Clivagem

As mãos vazias
deslizando no ar

Misturadas ao silêncio
dos tumultos flagrantes

E na inércia das longas viagens
sem as malas, sem agasalho,
nos óleos da dúvida,
posso entendê-las melhor

Como posso entender melhor
este gato em escorpião
numa primavera abafada

na maturidade incendiada
no qual me transfiguro

E estas mãos vazias
deslizando no ar

E este tropel absoluto de silêncio
jorrando murmúrios das raízes
do meu sangue opaco

E ainda bem que as palavras
Não se negam

3 comentários:

  1. Mangas arregaçadas
    Vida e labuta
    Sem estação
    Trem ou primavera
    Um grito silencioso desliza
    e sufoca:
    Em que lugar sou raiz?
    ..................................................
    Boa semana, Professor.

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  2. Leide,

    O importante é atravessar tudo isso e voltar à superficie enriquecida e contemplar um imenso arco-iris.

    bjs

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  3. O vazio das mãos pode ser algo desmesuradamente encantador ou pesar na loucura.

    Quanta humanidade transpirada nas palavras confiáveis, amigas de sempre.

    Vive-se nesta dualidade, neste sentir fragmentado onde a unidade nos faz prosseguir e por que não sorrir?

    Beijos

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