terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Imersão



Tolhida no amor
a bela dorme
mas, por dentro, os ossos
rangem em labaredas
e os lábios sugam
rios de saliva
do que antes fora
um gosto de amora,
substância
do que já viveu.

     Hoje,
     amor desintegrado,
carne sem abraços
pele sem afetos.

Tolhida no amor
a bela dorme agora,
mas não findou a vida,
ela me diz farpada.

3 comentários:

  1. "Tolhida no amor / a bela dorme agora, / mas não findou a vida". Sim, acredito nisso.

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  2. José Carlos, um bom Natal para você.
    Grande abraço. Lidi.

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  3. Mergulhada em amor ferido, sangue que não cessa de jorrar do seu ser, imerso no sono infeliz.
    Gosto da amora e peço para que o seu sumo lhe devolva afetos afastados.

    Esta imersão é intensa, caro poeta.

    Beijo

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