sábado, 3 de dezembro de 2011

Tecendo

                    Para Lidi

De que serve a ternura
ou a carícia tão doce
do mar em plena lua cheia?

De que serve o vôo fácil,
rasante, nas cataratas do prazer,
se teu sangue não coagula?

De que servem as vogais
infiltradas em teu nome
roendo o fruto, a semente,
se não irrigam tua vida?

De que serve o júbilo
se o mistério não existe
e o absoluto é um pecado
sob músculos e ossos?

De que serve o estigma
se a terra é tua vida
e a razão impele-a à dor
emasculando o grito?

De que serve o rio
náufrago, viúvo da insensatez,
que percorre tuas veias?

De que serve? De que serve?

3 comentários:

  1. Oh, José Carlos, que belo poema! Amei, de verdade! Muitíssimo obrigada! Posso levá-lo para o Deslocamentos? Um grande abraço.

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  2. Lidi,

    Claro que pode. O poema é seu, fiz pensando em você. Já não me pertence. Fico contente que tenha gostado.
    Abr.,
    José Carlos

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  3. Ternuras, carícias, vôos, vogais, júbilos, estigmas, rios servem à mansidão do poeta que vai tecendo melodias de outros mundos, vidas nem imaginadas.

    Uma teia de inquietações, quase translúcida, porém visível na pele do sentir.

    Beijo

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