quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Caminho sem volta




A chama do sol em diagonal dissipa meu ócio e eu não consigo desvendar a sombra porque não a mereço, no ar limpo desta manhã de fevereiro. Sou apenas um olhar frio para o jornal que traz as notícias do carnaval e da guerra fratricida pelos vãos dos becos. Nunca saberei onde me perdi, mas ainda encontro os restos de poeira, a fotografia da falésia do mar, o sabor do queijo de cabra na boca e aquela relva molhada sob os meus pés. O labirinto, que me fazia subir e descer à toa com o peito aberto, sem prender a respiração, agora agoniza sob uma cascata de luz, enquanto, arfando no orvalho, desperta a minha curiosidade o brilho do olhar da lagarta no tronco da árvore. Entre o tudo e o nada, a palavra. Sempre achei que estava de passagem ao sentir o céu na sua transparência. E, sob a minha pele, uma fonte lateja, o que me leva a escutar um rumor límpido desaparecendo. Como agora, no meu cálice, restam as últimas gotas de vinho, eu percebo que a moça tem razão “a vida é um caminho sem volta”.

2 comentários:

  1. José Carlos, aprendi a perceber a vida como um "caminho sem volta" com a minha amiga Ângela Vilma. E, sim, ela tinha razão. Um grande abraço.

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  2. Cada dia mais encantada com os seus comentários. Obrigada, José Carlos, pelas palavras, pela amizade. Abraços.

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