sábado, 12 de maio de 2012

Meu filtro

Moça,
é o calar que me ilumina,
faz os meus poros se abrirem

é o meu velcro, a minha morada,
a minha âncora, o meu fluxo

é o ponteiro ausente da minha ampulheta,
o meu quadrante, a minha fronte,
a minha raiz, a minha ânsia, o meu grito

é a minha pele, o meu músculo, a minha medula
o meu dicionário, a minha biblioteca, o meu núcleo

é o meu mistério, o meu absoluto, o meu relativo
a minha seiva, a minha semente

é a plenitude do mar noturno que não me pertence.

4 comentários:

  1. Tão emocionante e perfeito.
    Leio um José Carlos como leio um Drummond :)
    beijoss

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    1. Sem exagero, Lelena. Você inventa uma verdade e posso acreditar nela (rsrs). Mas adoro a tua generosidade e o teu carinho. Obrigado,
      bjsss,
      José Carlos

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  2. Então, José Carlos, espero que a tua poesia fale - como agora - toda vez que você calar. Lindos versos. Um abraço.

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    1. Lidi,

      Mesmo sangrando, às vezes, ela é uma pedrada, eu sei. E se me calo, não emudeço pra você.
      Abraços,

      José Carlos

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