quinta-feira, 26 de julho de 2012

No largo da Madragoa


Aquelas palavras nunca se despregaram de mim.

Sob os tamarineiros da minha adolescência,
a mãe de Maria enxovalhou a minha vida.

Maria tinha na pele a brancura do leite.

Perguntei-lhe um dia se ela gostava de mim,
Maria não me respondeu

Mas as palavras da mãe de Maria,
(por que eu não tinha na pele a brancura do leite
como a da sua filha),
calaram tão fundo na minha alma
que pulei no estribo do bonde
em movimento e vaguei pela cidade,
depois me escondi nos mangues das palafitas
por dias a fio.

Maria é uma lembrança azeda
como os frutos do largo da Madragoa.

4 comentários:

  1. Muito bonito, José Carlos. Algumas palavras não se despregam da gente mesmo. Lembrei do poema "Incidente em Baltimore", do poeta norte-americano Countee Cullen. Um abraço.

    ResponderExcluir
  2. Já ele deve ser uma lembrança perfumada :)
    beijos, José Carlos.

    ResponderExcluir
  3. Os incidentes são um moto continuo na vida da gente. Obrigado pela leitura, Lidi.
    Abraço forte,
    José Carlos

    ResponderExcluir