terça-feira, 28 de agosto de 2012

Instintivo


Se eu sobreviver a este caos
mudarei o meu estilo
sem prosápia.

A dama, o ás, o coringa
já ficaram para trás
e tudo se dilui
no laser da minha escrita

Mas os eletrodos
da minha ignorância
zipados com bruscas imagens
é um tecido adiposo
carcomido
pela cerveja de Sócrates
que não estava nem aí
na piração,
quimeras abissais
inventadas pelo doutor Freud.

E eu com isso?

Dá licença,
eu tenho pressa,
vou pintar um grafite barroco
no muro da esquina.

Depois?... Eu não sei –
ou me rasgo ou me salvo

no covil da felina
em seu vestido vermelho
incendiando a minha libido.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A outra Maria



Guardados nas gavetas...
Aqueles instantes mágicos se perderam
na aurora da vida.

Agora são memórias insones,
rugas no meu rosto,
bagagens do meu corpo.

São palavras mudas,
desígnios perdidos.

Se eu ainda pudesse reinventar o ontem
seria uma aventura
sem medo,
sem pressa,
alheio aos abismos,
seria um clarão de vida.

Guardo ainda na boca
o gosto de amar com o primeiro beijo,
na relva,
sob um tamarindeiro gigante,

descobrindo os caminhos do teu corpo,
e as vertigens.

Nunca mais fui o mesmo.

Minhas mãos ainda em chamas
ofegantes...

Eu dizia naquele momento único
que nunca faria um poema de amor...

E quando o sol já nos fustigava na grama,
distraído,
eu não sabia o que pensava...  

E depois de tudo naquele paraíso
Sorrimos um para o outro
ouvindo o murmúrio indizível das borboletas.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Pulsação



Toc toc toc
a ono mato peia
entre as sombras
não acende a pena
uma lumine essência,
que non lumine,
para atar a nós,
um agosto sem faísca,
o click no meu corpo,
um hiato, um toc toc
entre os nós, vestígios
na ponta da língua,
o ar comprimido,
veloz, oprimida,
esta espera fugaz,
o lado de fora
pelo lado de dentro
me deixa sem fôlego,
me desmorona.