quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A outra Maria



Guardados nas gavetas...
Aqueles instantes mágicos se perderam
na aurora da vida.

Agora são memórias insones,
rugas no meu rosto,
bagagens do meu corpo.

São palavras mudas,
desígnios perdidos.

Se eu ainda pudesse reinventar o ontem
seria uma aventura
sem medo,
sem pressa,
alheio aos abismos,
seria um clarão de vida.

Guardo ainda na boca
o gosto de amar com o primeiro beijo,
na relva,
sob um tamarindeiro gigante,

descobrindo os caminhos do teu corpo,
e as vertigens.

Nunca mais fui o mesmo.

Minhas mãos ainda em chamas
ofegantes...

Eu dizia naquele momento único
que nunca faria um poema de amor...

E quando o sol já nos fustigava na grama,
distraído,
eu não sabia o que pensava...  

E depois de tudo naquele paraíso
Sorrimos um para o outro
ouvindo o murmúrio indizível das borboletas.

6 comentários:

  1. oh, que bonito :)
    amores primeiros nunca perdem o seu lugar, vivem, vivem.
    beijoss

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  2. Às vezes, as histórias se misturam e se fundem enquanto ato ficcional. Mas é isso mesmo.
    bjss

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  3. Que poema mais lindo, José Carlos!
    Encantada. Um grande abraço.

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  4. É tão bom saber que você gostou, Lidi. Esta dicção antiga.
    Um abraço forte,
    José Carlos

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  5. " Sorrimos um para o outro
    ouvindo o murmúrio indizível das borboletas"

    Ótimo!!

    []s

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  6. Continuo sem saber o que pensar,mas a imaginação corre solta.Ficção ou realidade.
    Muito lindo.Quisera eu,saber comentar à altura do seu pensamento.

    Brincando com palavras.Me confundo,lhe confundo.

    beijinhos

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