sábado, 15 de novembro de 2014

Matricial


percorro-te
inscrevendo
na tua nudez
as palavras
de um alfabeto
pornográfico
que reverencia
tuas espáduas
tuas coxas
teu colo
teu ventre
tuas nádegas
teu palácio
flamejante
os dedos
ofegantes

(José Carlos Sant Anna)

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O terno de terra


foto: Parque Lage - RJ (arquivo pessoal)


Permanecem outras palavras no ar:

órfão das chuvas
e das iniquidades

me abrigo das intempéries
sob uma marquise
calcinada

febril atravesso
a infância sem biografia

apagando dos olhos e da memória
a túnica da escassez e da falta;

assedio os escombros das nuvens
e das lembranças dos meus mortos,

pois hei
de reconstruir o muito
que deixei na penumbra do alheio
e do espanto de última hora,

e me afasto dos desvãos dos tomos
e das infrações que, desgarrados,
corroem outros viventes.

(José Carlos Sant Anna) 

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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Entre outras coisas


foto: Parque Lage - RJ (arquivo pessoal)


Permanecem outras palavras no ar:

órfão das chuvas
e das iniquidades

me abrigo das intempéries
sob uma marquise
calcinada

febril atravesso
a infância sem biografia

apagando dos olhos e da memória
a túnica da escassez e da falta;

assedio os escombros das nuvens
e das lembranças dos meus mortos,

pois hei
de reconstruir o muito
que deixei na penumbra do alheio
e do espanto de última hora,

e me afasto dos desvãos dos tomos
e das infrações que, desgarrados,
corroem outros viventes.

(José Carlos Sant Anna) 

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terça-feira, 6 de maio de 2014

Inefável mote



Brooke Shaden


além da margem, uma abóbada joanina.

é nela que lavro um rio incógnito
e uma geografia inconsútil
do teu corpo
para navegar
sobre tuas águas uma lição de coisas
esculpindo curvas e meneios
num corpo a corpo
pelas ribanceiras.

é nela que um céu em chamas 
tomba
e verga-se ao vento
percutindo
o gozo do pêndulo.  

(José Carlos Sant Anna)

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Transitório



                                       Para Joelma B.



todo poema é grito
e silêncio:

corpo sangrando
à luz
de gestos escandidos

no vácuo
o turvo
à tua frente

é também corpo
labirinto
palavra e abrigo

e depois
de vivido

colhes
no dilúvio do olho
a dor animal.

(José Carlos Sant Anna) 


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