terça-feira, 28 de janeiro de 2014

No bar



– A moça quer uma vaga? – pergunta-lhe a flanelinha.
Arranjada a vaga na porta do bar, a moça salta do carro e, aos olhos da flanelinha, mostra uma elegância fora do comum para uma frequentadora daquele barzinho, e a guardadora de carros, mais que depressa, procurando angariar a simpatia da moça para uns trocados a mais, parecendo impressionada, diz séria:
– Moça, posso lhe fazer uma pergunta meio bobinha?  
E a moça, sorrindo mais para as amigas do que para a flanelinha, diz:
– Sim, pode...
E a flanelinha, misto de curiosidade e interesse, manda ver a pergunta:
Você é modelo?
Sem controlar o riso, para a surpresa da outra, responde:
– Só se for de pepino... com casca... Não sirvo nem de modelo para mim mesma... Este corpinho, é o que me diz? Você não tem a menor ideia...
E ri descontroladamente...
Depois, segura de si e amparada nos elogios da flanelinha, entra no bar arrasando... 

(José Carlos Sant Anna) 



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6 comentários:

  1. Muito bom. Você priva de uma grande intimidade com as palavras. E seduz. Você seduz em prosa e verso. Para poucos, eu acho.

    Beijos,

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  2. [ a maturidade ensina a observar
    só depois de absorver]


    né???


    [concordo com a Tania]


    beij0

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  3. José Carlos, belo e inteligente sua crônica.Há muito a refletir sobre seu texto. Há muita gente ainda hoje, que age de forma semelhante ao da moça " modelo" de pepino com casca, porém prepotente e cheia de si. Grande abraço!

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  4. Não é, mas podia ser (modelo), não?

    Afinal, o que é flanelinha?

    beijos

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  5. Afinal, José Carlos, a moça era toda silicone? Por acaso falava grosso?rs
    Beijos!

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  6. Me lembrei do chavão_'as aparências enganam' ,não?
    e como a superficialidade e futilidade anda a mil por hora _ sempre o culto a beleza ...
    abraço meu poeta prosador.

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