quarta-feira, 2 de abril de 2014

Transitório



                                       Para Joelma B.



todo poema é grito
e silêncio:

corpo sangrando
à luz
de gestos escandidos

no vácuo
o turvo
à tua frente

é também corpo
labirinto
palavra e abrigo

e depois
de vivido

colhes
no dilúvio do olho
a dor animal.

(José Carlos Sant Anna) 


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11 comentários:

  1. Esta é uma bela poesia, feita com economia de plavras e som da elodia secreta que toda a poesia tem.
    Abraço caro Amigo.

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  2. Dois extremos. Emoções extremas,
    _ 'entre os sentimentos, lamentos/ fora do tempo,jogados ao vento/talvez eu possa sentir,"
    Lamentavelmente, transitória.
    bela poesia JCarlos
    abraço'

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  3. Por que será que tudo tem um preço?...
    Belo poema, criado com esmero.
    Querido José Carlos, tenha uma ótima tarde!

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  4. Colher,no dilúvio do olho, a dor esfarrapada até me arrepiou.

    O poema é tudo isso e mais que o que as palavras não conseguem dizer.

    Muito belo!

    Fiquei rendida.

    Beijo

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  5. A poesia , conforme Manoel de Barros , deve causar deslumbramento . Assim é seu poema , José Carlos , deslumbrante . Obrigada por compartilhá-lo . Parabéns à homenageada . Bom final de semana . Beijos

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  6. nem tão perto, mas nunca esquecido...

    repito o poeminha originado após leitura deste teu, já publicado no meu blogue:

    Do tanto que me vela a certeza

    a dor
    no poema
    não passa:

    atavia-se

    (Joelma B.)

    Esta certeza surge das leituras de poetas como tu e das minhas próprias leituras de vida!


    fico emocionada quando a lira inspira poeta com a tua categoria... o que mais posso querer e dizer?

    Sempre muito grata pelo teu olhar tão dentro...

    beijos, meu poeta admirado!

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  7. deixando um abraço e carinho.
    Obrigada pelos comentários que incentiva a prosseguir olhando a vida através das lentes e dos sentidos.
    E reafirmo minha admiração pelo poeta JCarlos,que sabe lindamente como se faz um poema _ fico daqui a tentar entender de que é feito o poeta.
    rs
    fica bem amigo

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  8. Queremos mais! Queremos mais!
    Seus admiradores devem estar, como eu, sedentos de sua poesia...
    Beijos, José Carlos!

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  9. José Carlos , já fui ao outro blog e desejo aqui também , uma abençoada Páscoa a você e família . Beijos

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  10. Enfeitiçada neste grito mudo, meu corpo se perde nas sombras da tua luz, pelo vácuo do eco em vazio sem lados, labirinto de emoções com as palavras a servirem de testemunho da vida que passa, em dor, talvez, animal.

    Beijo

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  11. Volto a percorrer estes territórios sem excesso de luz e nem quero ler o que já por aqui se derramou em forma de palavras.

    Gosto de reler e sentir porque já sou outra, porque agora pode ser diferente de ontem ou anteontem.

    O teu poema é permanente neste grito e silêncio que dele exala, sendo o grito animal o culminar de corpos, labirintos e gestos turvados na palavra do poeta.

    Gosto deste Transitório que flui e parece recomeçar.

    beijinhos
    P.S. Grata pela tua presença carinhosa por terras peroladas.

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