sábado, 28 de fevereiro de 2015

Crepúsculo


atravesso o oceano...  
olhos fechados. ouso dizer-te.
sem tocar-lhe a carne. ouso dizer-te
o animal que eu sou, o corpo em fogo
sem que me importe se estás perto
sem que me importe se o rumo é certo
sem saber se este mar 
dessalga meu corpo
sem saber se as tuas curvas
se assemelham às do mar
se no teu horizonte há temporal,
se na tua solidão há sempre sal
sem saber se me enredo na tua rede
se me perco na tua linha,
no teu anzol,
sem saber se  o frio na medula
é um acorde em sol
sem saber se tu te entranhaste em mim
zarpo e antes de passar a barra
me apascento 
como um peixe fora d'água 

(José Carlos Sant Anna)

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