sábado, 28 de fevereiro de 2015

Crepúsculo


atravesso o oceano...  
olhos fechados. ouso dizer-te.
sem tocar-lhe a carne. ouso dizer-te
o animal que eu sou, o corpo em fogo
sem que me importe se estás perto
sem que me importe se o rumo é certo
sem saber se este mar 
dessalga meu corpo
sem saber se as tuas curvas
se assemelham às do mar
se no teu horizonte há temporal,
se na tua solidão há sempre sal
sem saber se me enredo na tua rede
se me perco na tua linha,
no teu anzol,
sem saber se  o frio na medula
é um acorde em sol
sem saber se tu te entranhaste em mim
zarpo e antes de passar a barra
me apascento 
como um peixe fora d'água 

(José Carlos Sant Anna)

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17 comentários:

  1. Olá, José Carlos!

    Não sabia k você tinha publicado, no sábado, esse poema. Bem, vamos sempre a tempo de "navegar" em águas límpidas.

    O poeta atravessou o oceano ( o Pacífico, julgo) pra chegar ao Atlântico, deduzo, como se seu corpo fosse peixe, alongado, belo, respirando, aqui ou ali, nadando.

    E fez toda essa travessia, sem saber, se haveria "ventos contrários", "correntes marítimas" desfavoráveis, ou se o gigante Adamastor "engoliria" você.

    E por que o fez? Para se apascentar no corpo de sua amada, todo "relva". Fora ou dentro de água? Tanto faz, né?

    E aí, nela, "morreu" cheio de vida.

    Gostei desse crepúsculo, e da forma como nadou com as palavras, os sentimentos, se dando, totalmente.

    Resto de feliz dia, e com muito fôlego.

    Carinhosamente, um beijo.

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  2. Para além da beleza do crepúsculo, o que nos atinge mais profundamente é este mergulho alucinado, endoidecido, em águas apenas adivinhadas no prazer não apenas da busca, mas muito mais da entrega. Momento próprio dos amantes que se deixam conduzir pelo prazer, pelo desejo, e que tentam mitigar a sede na vertigem de águas mais profundas...
    Tu soubeste, grande poeta, transmitir com delicada sofisticação este momento de paixão, onde os corpos se desejam num só. Sentir e viver esta entrega! Belo demais, poeta, belo demais!
    Que tuas horas sejam coroadas de sorrisos e estrelas nesse final de semana que se aproxima.
    Com carinho,
    Helena

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  3. Que lindeza!
    _ Inspirador ! impossível não fechar os olhos e fazer a travessia junto .
    É é maravilhosa a visão! lembra outra definição _'calor e sol chama e brasa' .Eu diria simplesmente Poesia .Das boas.Que nos transporta até o poeta .E vem aquela vontade de poder abraçá-lo, agradecida.Pela beleza desse crepúsculo de intensa luminosidade _ 'um acorde em sol'...
    fica os abraços

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  4. Nadar é preciso.

    Grata pela sua visita.

    Bj

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  5. Estive aqui lendo, melhor relendo, esse magistral poema, embora o crepúsculo ainda demore a chegar, e fiquei meia embalada e envolvida nele.

    Bom fim de semana.

    Beijo, José Carlos, com estima!

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  6. Agora, "purificado", fico aguardando sua próxima publicação, José Carlos!

    Boa semana!

    Beijos.

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  7. Espero por um nascer do sol. Pode ser?

    Beijo, José Carlos!

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  8. Vamos para aqui, José Carlos, porque o crepúsculo faz em nós nascer ideias novas.

    Boa noite, querido amigo!

    Então a escritora Rosa, ou melhor, as palavras dela, fizeram isso a você? Nossa!
    Olha, eu acho que não era intenção dela, pôr sua mente e corpo, em alvoroço. Bem, tenho de ser eu a escrever qualquer coisinha mais levinha, mas, hoje, estou tão cansada, e não fiz nada de especial. Está muito vento em Lisboa, e ele me desassossega, me abre a janela da alma, e depois fico desmotivada e até "irritada". Eu k sou pacata, calma, ponderada e faço tudo, atempadamente, com o vento, me transformo, completamente. Qdo o vento amansar, eu tentarei escrever algo subtil pra você, mesmo pouco k seja.

    Abraço, garoto!

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  9. Olhando, agora, esse seu blogue, quase k só vejo comentários meus. Espero k isso não gere "sururu". Sabe k mulher tem seis ou sete sentidos e é altamente visionária.

    Uma noite com anjos/as.

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  10. O que se passou, José Carlos?
    Fale, por favor!

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  11. Bom dia, "seu moço"!

    Tudo bem?
    Acho k este cantinho maravilhoso, tá precisando de umas palavrinhas, bem ao seu jeito. Fico aguardando, sua inspiração.

    Lindo dia.

    Abraço, com carinho.

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  12. Virgem Santíssima! Em 13 (treze) comentários k tem esse maravilhoso e significativo poema, oito são meus. Não tinha dado conta disso, ainda.
    Eu escrevo demais, é isso, pke "não" encontro outra explicação para o facto.

    Abraço.

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  13. Olá, "minino"!

    Esperando um nascer do sol, um raiar da aurora, esperando!

    Lembra do tal comentário k você deixou em meu blog, num espaço de resposta? Pois, acabei por passar ele. Tinha, aqui, no peito, uma espécie de aperto, um não sei quê, e decidi publicá-lo. Se passar por meu blogue, ele está no post anterior ao mais recente. Gostaria k você o lesse.

    Agradeço seu comentário tão completo, qto elucidativo, k hoje deixou no poema "De facto". Li, palavra a palavra, com mta atenção, e fui sempre encontrando mta lucidez, ternura e sinceridade. Obrigada!
    Deixei umas palavrinhas pra você, lá no blog. Tá?

    Escutou o vídeo, k está ao fundo, no meu blog? Então, passe por lá, se pretender, e depois me conte, das suas reações.

    Linda e serena noite.

    Abraço, com carinho!

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  14. Olá, "minino", José Carlos!

    Aqui, Lisboa, está sol, um tanto quente, mas está vento, agitado, que me "desassossega" bastante.
    Eu nasci no sul de Portugal, numa província de nome Alentejo, portanto, Além Tejo (rio), k acho fantástica, única. Somos pessoas calmas, por vezes, até pachorrentas, talvez devido às altas temperaturas k lá se fazem sentir no verão, nada conflituosas, falamos qdo é necessário, e as mulheres têm um sentido de decência mto apropriado, e até de uma exagerada reserva, que não se encontra nas restantes províncias.

    Historicamente, isso se compreende mto bem, pke os Árabes estiveram no Alentejo e no Algarve, mtos séculos, e a mulher árabe, com exceções, naturalmente, é também assim, mas foi ela que influenciou as alentejanas e não o contrário.
    A mulher do Algarve é mais faladora, mais atuante, até pke há mar, mto mar junto a essa província, e portanto, há maior abertura, em todos os aspetos.

    Você é de S. Salvador? Não conheço o seu "Gigante", mas creio que essa sua cidade/zona tem uma História mto rica e característica.
    Há dias, estive falando com uma psicóloga brasileira, natural de Santa Catarina, mas que reside em Lisboa já há mais de 10 anos e ela me falou de vocês com mto apreço, afirmando mesmo k vocês são diferentes de qualquer outras pessoas, pra melhor e pra pior, palavras dela. Creio ter entendido o k ela me desejou transmitir.
    Deixei umas palavrinhas, lá no blogue.

    Desejo a você um dia luminoso e abençoado.

    Aquele abraço!

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  15. Um dia
    Vou te falar do sol que o teu sorriso sempre espalha
    vou te falar do teu olhar que acalma as tempestades
    vou te falar da tua ternura desmedida, ave com asas.

    Um dia
    Vou até te falar das tuas mãos que acariciam palavras
    mas hoje, e esta noite, te quero simplesmente contar
    uma história, como se fosses criança tendo lembrança.

    Esta noite, te quero ver apenas dormir, sonhar e sorrir
    com o sol, que guardo em meu regaço, para distribuir.

    Céu

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