segunda-feira, 8 de junho de 2015

Seara



Depois do rumor de nuvens
desfeitas
uma floração de palavras
um tic-tac de afetos
vibra no ar sem pecúlio
iluminando o rosto do menino

é algo que se desvela
entre o céu e a terra
como se não houvesse outro destino

são as núpcias da chuva
dedilhadas pelos missais do exílio

enquanto as mãos 
esculpem este relicário.

José Carlos Sant Anna


9 comentários:

  1. Meu querido "minino", você, "não" tem o direito de me roubar a capacidade de ficar serena, indiferente, não conseguindo juntar sílaba com sílaba, você "não" tem, você "não" tem esse direito, mas você e as suas sutis palavras, o conseguem.
    "Maldição" do céu, só pode ser.
    A "Seara" ondula nos meus sentidos, e como alentejana que sou, comecei a guardar numa gaveta só minha, o relicário sentido, esculpido e oferecido por suas mãos. OBRIGADA!

    ResponderExcluir
  2. O barro é castanho, em geral, mas é também a cor que predomina no meu Alentejo, k é repousante, calmo, relaxante, portanto o vento, que tanta me desassossega, como você sabe, continuará seu percurso, unindo continentes em pensamento. Abraço, moço!

    ResponderExcluir
  3. A chuva sorvida na terra nas raízes vivas duma seara que respira.

    Senti a frescura desse rumor de nuvens desfeitas, das núpcias entre céu e terra.

    Um casamento perfeito e desejável.

    Beijo

    ResponderExcluir
  4. Relendo o poema, relendo, porque há palavras k nos beijam como se tivessem boca.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  5. SEGREDO

    Não contes do meu
    vestido
    que tiro pela cabeça

    nem que corro os
    cortinados
    para uma sombra mais espessa

    Deixa que feche
    o anel
    em redor do teu pescoço
    com as minhas longas
    pernas
    e a sombra do meu poço

    Não contes do meu
    novelo
    nem da roca de fiar

    nem o que faço
    com eles
    a fim de te ouvir gritar.

    MARIA TERESA HORTA

    ResponderExcluir
  6. Cansada, escrevo!

    Na seara ondulante da mente
    guardo segredos
    frágeis pétalas de papoilas
    apetitosos lábios rubros
    teus, só teus, instantes profanos.

    Ergo os braços
    afino a cintura e o ventre
    para sentir esta liberdade
    que a meus pés se deita
    no espaço só nosso.

    Arregalo os olhos
    quero mais
    não consigo calar
    a transparência dos teus olhos
    num ritmo apaixonado.

    Movimentas-te, de súbito
    convidando-me
    a entrar na tua dança
    pontos mágicos da poesia
    sim, amor!

    Céu

    ResponderExcluir
  7. Agora, uma seara só, não me basta. Quero o firmamento.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  8. Oi, "Minino"!

    Já li muitas vezes a "Seara", não a do meu Alentejo, mas a que aqui postou, e sempre gosto, só que seus leitores/as talvez já precisem de ler outras palavras, e nelas, eu me incluo. Eu, tb, sei k o dono/criador do blog é você, mas...
    Nossas vidas não só blogs, logicamente, mas logo k a pena e sua mão obedeçam ao coração, eu já estou espreitando, por aqui. Posso contar com você? Eu sabia que iria sorrir e me olhar, sem dizer palavra, mas...depois apareceu um poema, LINDO E LUMINOSO.
    Vá, não "ralhe" comigo, pke eu não mereço.

    Forte abraço.

    ResponderExcluir