quarta-feira, 1 de julho de 2015

Adágio



Pensei escrever um adágio
em que o mote fosse um vaso,

mas um peixe
atravessa o meu caminho
enquanto desço um rio
em sentido contrário,
sabendo
que o sou o seu avesso. 

Todas as coisas fazem sentido,
pois nada quer ser mais
porque já é tudo,
é o que descubro
descendo o rio

E se descobrimos
que os peixes flutuam
voluptuosamente
é porque olhamos para água,

se não o fizéssemos,
não os descobriríamos
em sua morada. 

Enquanto escrevia este adágio,
olhava no vaivém das folhas
e na correnteza do rio
o espelho do teu sono.


José Carlos Sant Anna

16 comentários:

  1. Adágio de provérbio popular com mensagem de teor moral ou trecho musical de andamento e execução lenta? Não interessa discutir, aqui, o sexo dos anjos, como vulgarmente se diz, pke eu não entendo nem de ditado popular, e mto menos de música, mas o que, na verdade, você conseguiu foi um excelente poema, que não parecendo ser de amor, acabou por o ser.

    Um vaso. E no vaso uma planta com flores lindas e cheirosas, ambientando o dia e a noite, iluminada pelos sentidos já dormentes, mas um peixe atrapalha seu caminho, já sabendo, antecipadamente que você está do avesso, portanto alheio ao mundo.

    Tudo combina, faz sentido e se aproxima, naquele "corpo de rio", que sobe, sobe, sem descansar.
    Você, apesar desse estado contrário, descobre peixes k se movimentam voluptuosamente como nós, pessoas. A maré está subindo, e por isso, o poeta, VOCÊ, consegue ver, nitidamente, as flores, as folhas, a força e o ímpeto das águas, espelhando, tão somente e milagrosamente, o rosto dela dormindo. Há instantes impagáveis e inolvidáveis!
    Não foi miragem, não, foi sensibilidade misturada, abarrotando de vontade.

    Gostei imenso desse seu poema, pke tudo começou num suposto vaso, até despretensioso e terminou no sono dela, bem gostoso.

    Parabéns pelo seu talento, k corre desvairado, como as águas de um rio, ou será que tem "destinatário"?

    Aquele abraço, moço!

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  2. ADÁGIO

    Quanto caminho já percorrido
    desde o meu primeiro poema
    ai, quanto amor partilhado
    com olhos de alegria serena
    ai quanta estrada palmilhada
    viva, imensa.

    Quanto verso estrangulado
    quanta ausência de ti
    quanto afeto espartilhado
    quanto secreto e repleto rio
    ai, quanto caminho andado
    sem fim, alcançado.

    Vivo por ti, e sei que virás
    hoje, para dentro de mim
    vaso, meu corpo, ecoa
    erguendo as flores já soltas
    num grito de maré alta
    que nos envolve e atordoa.

    Céu

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  3. Truz, truz! Será que está alguém por aqui? Estou estranhando, porque, todos os dias, ele costuma me "visitar", mais vezes do que eu, até, é verdade, e nessas conversas trocamos mimos, divagamos, filosofamos e até, imaginem, nos "zangamos". Ele e eu, rapidamente, esquecemos, e tudo fica como dantes, sem o mínimo belisque ou ressentimento. São assim os sentimentos verdadeiros e inteiros.

    De qualquer jeito, e como não dormiria tranquila, se não lhe desejasse uma noite de estrelas, bem luminosa e aconchegante. Aproveito, também, para lhe deixar em cima da sua cama, um hibisco, que hoje, comprei, ao final da tarde pra você. Perfumará seu quarto, mas sobretudo, gostaria, sua alma.
    É uma flor, um pouco frágil, portanto a acaricie, e se a beijar, o faça levemente, me aconselhou a florista, mas pode fazer quantas vezes lhe apetecer.

    Feliz e cheirosa noite!

    Abraço, com carinho, José Carlos!

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  4. RIVAIS

    A lua e eu, pudera
    não nos damos.
    Ela, lá em cima
    longe dos teus braços
    contenta-se em te olhar
    sem nunca, te alcançar.

    Eu, cá em baixo
    tão perto, tão perto
    do teu amor e afeto
    contento-me em saber
    que me imaginas e lês,
    viajando e me desejando.

    À noite, ela te ilumina
    e eu sonho com teu corpo.
    De dia, ela sempre dorme
    e eu assumo dela o posto
    te incendiando, por gosto.

    A lua e eu, mulheres
    somos rivais, sem igual
    por um amor abençoado
    guardado pelas estrelas
    e ponto final.

    Estou viva, durante o dia
    muito quente, ressuscitada
    à noite, morro de ciúme
    da vigilância dela, apertada
    mas é de mim que tu gostas
    e mais nada.

    CÉU

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  5. A grande musa dos poetas. Inspiradoras palavras. Um maravilhoso e belo fim de semana.

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  6. Olá, José Carlos!

    Muito agradeço o fabuloso, o "profissional" e terno poema, que deixou no meu blog.
    Você escreve tão divinamente! Raramente, sua poesia apresenta rima, e acho k isso a enriquece, para além do sentido e objetivo a ela subjacentes.
    Você é muito versátil, eu acho, pke consegue escrever amor, de forma metafórica, mas tb temas do cotidiano, filosóficos ou freudianos.
    Eu, qdo escrevo poesia, o tema é quase sempre o mesmo, tenho tendência pra rimar, o k pode retirar aquele lirismo acertado, e eu tanto k gostaria de escrever verso branco, só k qdo dou por mim, já estou rimando. Eu sei k o produto final, até é satisfatório, mas gostaria de conseguir escrever sem rimas. Acho k a poesia rimada fica mto mais pobre, mais vulgar e até, um pouco, brega.

    Tenha uma noite feliz e sonhe com princesas com laços nos cabelos.

    Abraço, "minino"!

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  7. Estava me esquecendo: vou deixar em cima de sua secretária um mimo-de-Vénus. Aceita?

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  8. Bordas-me a pele, oceano de desejos
    a boca a desafiar-me o corpo, ternura
    as tuas mãos como flores nas minhas
    soltas como pássaros, a afagarem-me.

    Envolves-me de ti, pétalas de bem-querer
    nos versos esculpidos, com voracidade
    delírios dos céus, trama do meu ser
    lençol de cetim fino, ave de condor.

    Escancaro asas, em arrojados sentidos
    na urgência de te abraçar, finalmente
    e calma, serena, excitada, digo, escrevo
    coisas que sinto, enfim...

    Sou assim.

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  9. Bem, José Carlos, creio k estou "viciando" você com minha presença diária e meu "discurso", mas sabe bem falar com amigos/as, embora virtuais e distantes.

    Nem sei que presente lhe deixe, essa noite. Não está já cansado de Mimos, quer dizer, de Mimos-de-Vénus, hibiscos? A flor é linda. Pronto, vou deixar outro Mimo, mas vou colocar ele em sua casa, logicamente, mas não lhe revelarei o sítio. Pronto, agora, é só procurar.
    Amanhã, irá me contar se o encontrou, onde, e qual foi a sensação da descoberta, do encontro.

    Uma linda e movimentada noite.
    Abraço com Mimo.

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  10. Mulher é mesmo desse jeito, e não tem jeito a dar à sua astúcia, inteligência e argúcia.
    Seu quarto tem dimensões normais, e portanto, será, sempre, o lugar ideal pra esconder presentes, Mimos-de-Vénus ou de Afrodite ou outros mimos quaisquer.
    Enquanto você escrevia, e como estava mto concentrado, atento, eu, telepaticamente, fui bem devagarzinho, pé ante pé, e coloquei eles debaixo do colchão, k até nem é pesado, como me apercebi.
    A envolve-los, um papel de seda com estrelinhas do céu e do mar, e uma fita vermelha prendendo-os, formando um coração.

    Agora, como você já sabe onde os coloquei, essa noite, e se tiver levante o colchão da sua cama e veja o k deixei pra você. Não foram hibiscos, não. SURPRISE!

    Abraços, mocinho!

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  11. Olha a luz glamourosa da noite de luar
    vai à janela, e depois senta-te nela.

    Olha o reflexo que no teu peito se escondeu
    tão inexplicavelmente!

    Estou, simplesmente, a escrever
    o que em teus olhos quero adivinhar
    para entender o murmúrio dos desejos.

    Por uns instantes quero que te sintas
    verso inacabado, tempo sem prumo
    verdadeira metáfora de um caso barroco
    que por uns olhos, apenas por uns olhos
    se revelou de vez, talvez, talvez...

    Céu

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  12. Amigo, seus poemas são lindos demais!
    Os desejos são sempre nossas aflições,
    não dominamos nossos instintos humanos!
    LIndooooooooo!
    Uma semana de luz!!!
    http://www.elianedelacerda.com

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  13. Olá, José Carlos!

    Tudo bem? Por aqui, também.
    Agradeço seu inteligente e "doce" comentário em meu blog.
    Em poesia, tudo pode acontecer, e na vida, por vezes, também.

    Lindo dia.

    Abraço, moço!

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  14. O pensamento nos trai vezes demais.

    Pensamos em vaso e um peixe se atravessa.

    Nada é impossível ao poeta, muito menos a aventura da descoberta de avessos.

    Primoroso, como já nos habituaste.

    Sou fã!

    Beijinhos

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  15. Olá, meu querido amigo!

    E hoje se comemorou aí, o DIA DO AMIGO, então foi nosso dia, dia de muita gente.
    Agradeço seus lindos, inteligentes e afetuosos comentários, que eu tentando retribuir, o melhor que sei.
    Me deixou pensando: incompreendido e insípida (que dois adjetivos acutilantes)! Me fale, se quiser!
    Li, há tempos, uma frase, não sei onde, k dizia, mais ou menos isto: Há sempre um que ama mais e outro que ama melhor.
    Que pensa você dessa afirmação?
    Abraço você!

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  16. Retificando: "...eu estou tentando retribuir...."

    Um dia muito SABOROSO.

    Abraço, deste tamanho ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

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