terça-feira, 21 de julho de 2015

As palavras

me lanço 
na escrita farejando
o que me escapa por entre os dedos

decolagens bruscas 
                          sem medo de pane
para esquecer as vicissitudes

mas as palavras usufruem as férias
da previdência social 

me lanço 
ao covil das lobas

ouço em recado lacônico
que não querem ser incomodadas
nas praias desertas
onde exibem celulites e linhas curvas 

abro outra garrafa de proseco
e vejo-as em frente,
                            indiferentes,
em clima 
de inesperada magia,
sem ninguém para derrubá-las 
de quatro,

assim arranhando paredes 
invisíveis,
vão tecendo suas vidas

aranhas ávidas,
mulheres, ah, mulheres, 
sem pânico à flor da pele,  
excomungando

a cozinha e outros clichês
que o vento não levou

quanto a mim, 
sem perder o fôlego, me aferro
ao desenho desse raro dialeto
soletrando essa canção de delírio. 

(José Carlos Sant Anna)


7 comentários:

  1. "Água mole em pedra dura, tanto dá, até que fura", se diz por cá.

    Pronto, menino, já não preciso de bengala, coisa nenhuma, porque tenho suas palavras, escritas por suas mãos, para me ajudarem e ampararem. Nos próximos dias, eu disse dias, poucos, não me irei desequilibrar, estou certa disso. Férias? Vicissitudes? Que nada!

    Elas, são "mulheres", pelo menos são do género feminino, número plural, e têm todas aqueles características, que tão bem conhece, entre elas a celulite, embora palavra/mulher magra, possa também ter aqueles depósitos de gordura, k causam irregularidades na pele.

    Seu poema, bem lúcido, é um retrato fiel do que você (eu-lírico) pensa e sente em relação às mulheres, que são como as palavras.
    Não abre garrafa de Prosecco, pke eu sou alérgica ao cheiros de todas as bebidas alcoólicas, e mesmo distante, chega cá o odor, portanto, aconselho chá.

    VOCÊ, PODE VIVER SEM ELAS? ENTENDA, COMO QUISER, O SUJEITO DESSA FRASE. Por mim, tudo bem, porque eu sou da área de "Ciências".

    Provavelmente, por causa delas, é que surgem adjetivos, que me deixam pensativa e preocupada, e depois, se "fecha em copas", mocinho!

    Abraço, sem celulite, colesterol, triglicéridos, mas com alguma glucose.

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  2. Quanta ferocidade, quanta determinação nesse arremesso que levou a uma explosão de palavras, de poesia poderosa, deveras intensa.

    Como bomba atómica (espero não me encontrar em sua trajetória) provocas marca que deixará cicatriz.

    Continuo deslumbrada com o poder da respiração que se sente no arremesso.

    Beijinhos

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  3. Olá, José Carlos!

    Agradeço sua visita, tal como aquelas "questões" sensoriais e sensitivas, k me colocou.

    Eu estou satisfatória, embora um pouco cansada, pke ao sábado é dia de limpezas em minha casa, e para além disso, fui ao dentista, no final da tarde.

    Amo a cor azul. Adoro olhos verdes ou azuis. Fico deslumbrada com homem vestindo de azul, jeans azuis e camisa de linho/algodão, com manga comprida, também azul. Nos pés, mocassins, sem meias, se for de verão. Sem tatuagens, sem piercings, sem aqueles adornos k alguns usam, k mais parecem pinheiro de natal. Mãos esguias, dedos finos e sem anilhas, anéis, pke isso é para pombos. Óculos de sol, e se for preciso, graduados. É assim k, amanhã, você vai estar? Depois, me conte, o sucesso, o arraso. Tá?
    Homem, em geral, não sabe combinar as cores, por vezes, penso k são daltónicos, até (risos). Bem, se houver mão feminina por perto, com jeito e sem "impor", mas impondo, dando aquela "liberdade condicionada", vocês viram deuses do Olimpo.

    Meus olhos, apesar de serem castanhos escuros, um pouco mouriscos, até, guardam em suas retinas várias cores mundanas, k não propriamente quentes, mas um tanto "misteriosas", dizem. Conseguem "radiografar", mto bem.

    É no silêncio k meu coração floresce, sem dúvida alguma. Na confusão, no turbilhão do mundo, ele decresce, se esconde, e creio k fica só com uma aurícula e um ventrículo, o mínimo pra poder sobreviver, "pobrezinho".

    Um dia destes vou pô-lo à venda ou então a alugar/arrendar. Será k aparecerá algum comprador/alugador? Que lhe parece?

    Um luminoso domingo, meu querido amigo.

    Aquele abraço!

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  4. Meu amigo, gosto demais de seus textos!
    Quanto às celulites hahahahaahahah
    realmente não há mulher que não se importe com isso,
    estamos sempre preocupadas,
    mas na praia nada incomoda,
    nada é mais precioso que a natureza!
    Bjos e avise sempre que tiver post novo!
    http://www.elianedelacerda.com

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  5. Olá, meu querido José Carlos (estou atrevida, essa noite)!

    No domingo, você se arremessou naquilo que ama fazer. É bom, gratificante, qdo tal sucede. Parece k o tempo é de ouro, como o silêncio.
    Sei o que você sentiu, pke amo o k faço, também.

    Bem, qto à minha preferência pela cor azul, já é coisa antiga, e agora até condiz com meu pseudónimo.
    Em relação à vestimenta, enfim, sugerida, olha que simplicidade é, pra mim, sinónimo de bom gosto. Cuidar, sem exageros, de nosso aspeto físico, é um dever.
    Em Portugal, e desde que o CR7 começou a se depilar, mtos homens já o estão fazendo, também. Acho lindo, prático e mega higiénico. Me cruzo com alguns, qdo vou fazer meus tratamentos de laser, com a mesma finalidade (aqui, só pra nós, há zonas do nosso corpo, onde dói, ó Dios mio, como dói)!

    Você sem sugestão, como eu já escrevi no meu blog? Ah, essa é pra eu não acreditar! Pode deambular no meu coração, trepar até as paredes dele e se amanhecer lá, pke sonhar é o ato mais lindo, perfeito e total do ser humano.
    Não verá meus olhos na manhã, nem de manhã, pke eu uso "burka", meu lindo amigo!

    Fico esperando seus sonhos e "fantasias", José Carlos. Ah, ah, temos um oceano a nos separar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Quer um beijo ou um abraço, ou nem uma coisa, nem outra?

    Fique bem, mocinho!

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  6. Cadê o poemão, "minino"?
    Estou esperando. Vamos lá! Aqui, já é quase meia-noite, e portanto, amanhã, qdo eu acordar, quero ligar o PC e ler um poema seu, bem sensitivo. Promete me surpreender?

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  7. O poemão estava no blog "Comendo o fado do leitor", só que eu, ainda não tinha visto, pke não passei por lá, antes. Sorry!

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