quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Da ausência




pressentida, a ausência
esgarça a argila
nela aprendemos a ouvir
o silêncio das estrelas

e sem que as léguas
sejam um obstáculo
a separar os nossos pés
do espanto do desenlace

e antes que a aurora
anuncie
pelas frestas do postigo
da casa o hálito antigo 
do sol

desvisto a fome 
do ocaso dos nossos corpos
afogado à mesa

inspirando o ar rarefeito
das antigas lembranças. 

(José Carlos Sant Anna)


2 comentários:

  1. Ausência...lembranças!

    Olá, José Carlos!

    Há que mudar, diversificar a temática poética, e não só.
    Você é muito versátil, mas escreve, em minha opinião, consoante o k seu estado de alma está sentindo. E os poetas são, em geral, diametralmente opostos, nos sentires. Ora, "chove", ora "faz sol", lá na alma.

    Gostei muito do que você escreveu, aliás como sempre, e não devo ficar "preocupada" com seu estado de alma, pke amanhã, ou essa noite mesmo, haverá luz.
    Essa de "desvestir a fome", me "dançou" no cérebro.

    Bom fim de semana.
    Abraços.

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  2. É. Não só falou/escreveu sobre ausência, como a está utilizando.
    Jogue ela fora, José Carlos, pke ela tem efeitos secundários ruins, bem nocivos, mesmo.

    Dia feliz!

    Abraço celestial.

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