domingo, 9 de agosto de 2015

Diário



Depois de extrair um anacoluto da rocha 
deixei-o rolar 
como um seixo pela encosta

e, distraído,
como se falasse ao telefone,
fiz,

por não encontrar o papel  
que nos governa em torno de palavras
inúteis, 

um cálculo aritmético 
sobre a argila de como a rosa se desfaz.

(José Carlos Sant Anna)




4 comentários:

  1. Bom dia, "meu amor" de amigo!

    Tão matemático! Eu sei, que você é de "Ciências, eu sei, e por isso seu poema, seu "Diário", fala de rochas (não me lembro do nome da ciência, que estuda as rochas e seu "comportamento"). Depois, você me diz, me ensina. Tá?

    Então extraiu um anacoluto (bem, onde é k já se viu extrair da rocha um elemento da sintaxe, assim, feito louco e solto. Coisas de escritores. Só pode!) e depois deixou rolar, talvez lembrando o corpo da menina quando se movimenta na cama, na sua ou na dela, não sei. E como estava ao "telefone", assim, meio distraído, não alimentou seu olhar. Viu, viu, o k você "perdeu"? Então, isso se faz? (risos). Pronto, estava de "barriguinha cheia", posso concluir.

    Nunca há, nunca temos papel nessas alturas, pke o k queremos mesmo são profundidades, então, você e como bom "matemático" fez um cálculo na rocha, k era argila, diz você (pronto, eu aceito, mas olhe k poderia ser basalto, assim escuro e absurdo, como a cor de alguns olhos), com seus dedinhos finos, aprumados e encantados, e imaginou como se desfaria uma rosa. As flores tb têm sua ciência!

    Começou a semana bem inspirado, José Carlos!
    É preciso dizer k gostei?
    Fico aguardando que, hoje, me ofereça uma vermelha, k não irei desfazer, mas cheirar e aconchegar.

    Um dia bem feliz e soalheiro. Aqui, está calor e o vento fugiu dessas paragens. É destes dias, calmos, lassos, calados, k gosto!

    Te abraço com rosas.

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  2. Amigo poeta,
    vc escreve com muita profundidade e
    gosto demais de suas construções!
    belo poema!
    A vida é uma Arte!
    http://www.elianedelacerda.com

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  3. O anacoluto nos leva mesmo para outros caminhos... Poema genial, José Carlos.É por "coisas" assim que me apaixonei pela poesia e a Língua Portuguesa.

    Beijinho.

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